Mostrando postagens com marcador Oscar2011. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Oscar2011. Mostrar todas as postagens

domingo, 6 de fevereiro de 2011

TOP5 - Vacilos do Oscar 2011

Um fato: qualquer lista provoca questionamentos. Não podia ser diferente com a lista de indicados ao maior prêmio do cinema mundial. Vejamos 5 das mancadas mais cretinas que a Academia cometeu esse ano.

5 - Daft Punk – Melhor Trilha Sonora


Tron Legacy foi provavelmente o filme mais conversa fiada do ano passado. O visual incrível, o efeito bacana com o young Jeff Bridges e o grande desconto que a gente dá por conta da nostalgia de Tron – Uma Odisséia Eletrônica (1982) ajudam muito. Mas não há como negar, a dupla de franceses rouba a cena e traduz toda aquela identidade visual em forma de música. Impossível imaginar alguém desempenhando melhor trabalho em Tron Legacy. Galera do Oscar tava fora de si.

4 - Um Lugar Qualquer – Melhor Roteiro Original


Essa é a minha categoria preferida do Oscar. Principalmente porque os roteiros originais são uma especiaria cada vez mais rara. Na era das adaptações e remakes, textos escritos especialmente para cinema se sobressaem com louvor. Então quase sempre os cinco indicados nessa categoria são filmes que merecem atenção. A despeito do Oscar que Sofia Coppola conquistou em 2003 por Encontros e Desencontros, seu último filme, Um Lugar Qualquer, precisava estar nesse ranking. Saiba mais.

3 - Andrew Garfield – Melhor Ator Coadjuvante


Quando anunciaram o novo Homem-Aranha, o rosto de Andrew Garfield ainda era desconhecido pela maioria. Mas o trabalho dele em A Rede Social funcionou como um carimbo de ‘Aprovado’ pra substituto de Tobey Maguire. O cara simplesmente faz com que haja total identificação entre o público e seu personagem Eduardo Saverin, injustiçado pela trama selvagem da criação do Facebook. Ainda há muito o que mostrar, o Garfield.

2 - Christopher Nolan – Melhor Diretor


Esse parece mais um daqueles equívocos históricos do Oscar. Vou evitar comparações e me ater ao fato de que Nolan já realizou trabalhos notáveis como Amnésia (2000), Insônia (2002), O Grande Truque (2006), além do resgate triunfal de Batman em Begins (2005) e The Dark Knight (2008).  Entre indicações e prêmios, os méritos de alguns de seus filmes já foram reconhecidos pela Academia - no entanto, seu trabalho de direção! por trás das câmeras segue passando batido. Vamo recontar esses votos aí, gente!

1 - Scott Pilgrim Contra o Mundo – Melhores Efeitos Visuais


Efeitos Visuais é apenas a omissão mais descarada do Oscar para o filme de Edgar Wright. Scott Pilgrim é uma tremenda aula de pós-produção e por isso se tornou um dos filmes mais visualmente agradáveis de 2010. O mérito de ter transplantado a linguagem de vídeo game e quadrinhos com tanto domínio e criatividade para o cinema, faz dele uma obra de caráter quase obrigatório, que foi sumariamente ignorada pela Academia. Nenhuma mísera indicação, é mole? “YOU WILL PAY FOR YOUR INSOLENCE!”

E aí, quem mais você acha que ficou pra escanteio no Oscar 2011? :)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Black Swan: O Manicômio dos Cisnes


O cineasta estadunidense Darren Aronofsky já deu boas provas de seu pulso firme no que diz respeito à direção de atores. Foi assim em Réquiem Para Um Sonho (2000), onde vimos o desempenho incrível de Ellen Burstyn como uma viciada em narcóticos. Mais tarde, em O Lutador (2008), Mickey Rourke é explorado ao limite, encarnando um wrestler cheio de boas intenções, mas com enorme impulso auto-destrutivo. Curiosamente, ambas as performances receberam indicações ao Oscar, mas perderam as disputas.
Também por isso, as atenções agora estão todas voltadas a Natalie Portman, que interpreta Nina Sayers, a protagonista de Cisne Negro (Black Swan, 2010), último trabalho de Aronofsky. Trata-se de uma bailarina de uma grande companhia, penosamente devotada ao ofício; ela treina incansavelmente sob a batuta de sua mãe, uma ex-dançarina que teve a carreira frustrada quando engravidou. A rigidez quase militar que impõe sobre Nina é uma clara evidência de que pretende ter sua trajetória vingada pelas sapatilhas da filha. 
Assim, observamos que ter sido criada à maneira super-protetora da mãe, atrofiou o processo de amadurecimento de Nina, que ainda ostenta um quarto decorado por bichinhos de pelúcia e paredes cor-de-rosa; e é dona de uma personalidade frágil, virginal - o que é acentuado pelas feições de boneca e voz doce de Portman, é verdade.


Por isso ela seria a escolha perfeita para o papel de Odette, o Cisne Branco na montagem histórica de O Lago dos Cisnes, que está sendo organizada pelo renomado coreógrafo Thomas Leroy (Cassel). No entanto, a eleita deve encarnar irmãs gêmeas, dupla-face: a doçura do Cisne Branco em contraste com o lascivo, impulsivo e visceral do Cisne Negro, Odille.
Ao abraçar a chance dourada de sua carreira, Nina Sayers precisa lidar com a pressão que vem de sua mãe, com as exigências cruéis de seu coreógrafo (que cobra dela a voracidade do Cisne Negro) e a ameaça de ser substituída por outra bailarina, a provocante Lily (Kunis), além de outros complicadores. Mas a pressão mais violenta vem dela mesma, naturalmente. E é assim que acompanhamos a degradação física e mental da protagonista, num desses momentos únicos do cinema, à luz fantasmagórica dos artistas que são consumidos pelos próprios personagens - como ilustra o cartaz fodástico lá do topo do post.


Importante observar ainda, que o diretor optou por uma linguagem semi-documental que transita entre fatos e delírios, horror e sobriedade - com a câmera na mão, perseguindo a personagem. A câmera também assume o ângulo de visão da protagonista e muitas vezes parece estar executando as mesmas piruetas da dançarina. Numa cena em específico, a lente acompanha os passos de dança diante de um espelho enorme, mas ali se vê apenas a bailarina, como se não houvesse filmagem alguma. Muito bacana.
Finalmente, resta dizer que Cisne Negro é inquietante e perturbador. Algo que justifica ver Nina e Portman sendo exauridas por seus papéis, nesse filme em que todas as cenas te levam a acreditar que um final excepcionalmente retumbante está para acontecer. E olha, acontece mesmo.