sábado, 12 de fevereiro de 2011

TOP5 - Documentários de Cinema

Aos cinéfilos e aos curiosos em geral, cinco documentários fundamentais sobre a arte número 7. Vem gente!

5 - Stanley Kubrick: Imagens de uma Vida (Stanley Kubrick – A Life in Pictures, 2001)


Dirigido por Jan Harlan, produtor de alguns filmes de Stanley Kubrick, A Life in Pictures me deixou com a impressão de que procura abordar muito da vida/obra do diretor, mas sem se demorar em nenhum aspecto. De todo modo, o material reunido aqui é precioso: depoimentos de Spielberg, Woody Allen, Sydney Pollack, Martin Scorsese... além de familiares e pessoas próximas a Kubrick. Traz ainda imagens caríssimas (e em vídeo!) da infância-- e de bastidores das produções do mestre. Por estes motivos, e apesar de deixar a desejar, é indispensável a qualquer fã de cinema.

4 - Império dos Sonhos: A História da Trilogia Star Wars (Empire of Dreams, The Story of The Star Wars Trilogy, 2004)


Ainda que você não seja fã de ficção científica e deteste os Skywalkers e sua saga, precisa reconhecer a importância de Star Wars para o cinemão de Hollywood. O projeto de George Lucas para um filme que se passava numa galáxia muito, muito distante foi visto com descrédito pelos estúdios combalidos dos anos 70. Mas o custo de 11 milhões de dólares foi superado pelos 37 milhões arrecadados apenas na primeira semana de exibição. Star Wars provocou uma série de inovações se tornando um marco do cinema-espetáculo e a inauguração do que hoje entendemos como blockbuster. A produção desse documentário 'é tão lendária quanto a própria saga' - e ajudou a construir todo o mito por trás dos filmes de ficção científica mais famosos de todos os tempos.

3 - A História da Pixar (The Pixar Story, 2007)


A Pixar: o maior estúdio de animação do mundo, criador de sucessivos êxitos no cinema, responsável por colocar a ‘animação digital’ no mapa, é também uma empresa com passagens secretas, onde os funcionários se deslocam usando patinetes e skates... Poderia ter sido sorte de principiante o Toy Story de 1995, com Woody e Buzz totalmente feitos em computador. Mas a equipe orquestrada por John Lasseter continuou emplacando filmes cada vez mais complexos, divertidos e bem elaborados. Qual é a do sucesso da Pixar, afinal? The Pixar Story é bem curto e trata apenas dos primeiros anos da Pixar Animation Studios, mas é uma pequena jóia para fãs e admiradores desse estúdio sem igual.

2 - Cary Grant: Uma Outra Classe (Cary Grant – A Class Apart, 2004)


Narrado por Helen Mirren, esse documentário produzido para TV, analisa todos os aspectos da vida de Cary Grant, um dos atores mais relevantes da história do cinema americano. A trajetória profissional de Grant, desde os primeiros papeis até a decisão da aposentadoria. E sua vida particular, suas origens, seus casamentos, a bissexualidade. Nada escapa da atenção do diretor Robert Trachtenberg, que juntou ainda entrevistas de estudiosos de cinema e profissionais da marca de Peter Bogdanovich, Howard Hawks, George Cukor, Stanley Donen, Martin Landau – bem como da viúva de Grant e de sua ex-esposa, Betsy Drake, uma mulher incrível. É um documentário impecável, vai na minha.

1 - Cem Anos de Cinema - Uma Viagem Pessoal Através do Cinema Americano (A Personal Journey With Martin Scorsese Through American Movies, 1995)


Uma história do cinema americano pelo ponto de vista de Martin Scorsese, é mole? Ele escolhe os filmes que mais marcaram sua vida pessoal e as influências que ajudaram a definir sua carreira profissional. São quase quatro horas (que passam voando) de explanações didáticas sobre aspectos técnicos e artísticos de incontáveis filmes, passando pelos gêneros (westerns, musicais, gangster...), avanços tecnológicos sofridos pela indústria do cinema... uma série de reflexões que tentam responder à pergunta: qual é o preço para ser um diretor em Hollywood? Aula de cinema com o Tio Scorsese. Se vale a pena? Pfffff.

Té breve ;)

domingo, 6 de fevereiro de 2011

TOP5 - Vacilos do Oscar 2011

Um fato: qualquer lista provoca questionamentos. Não podia ser diferente com a lista de indicados ao maior prêmio do cinema mundial. Vejamos 5 das mancadas mais cretinas que a Academia cometeu esse ano.

5 - Daft Punk – Melhor Trilha Sonora


Tron Legacy foi provavelmente o filme mais conversa fiada do ano passado. O visual incrível, o efeito bacana com o young Jeff Bridges e o grande desconto que a gente dá por conta da nostalgia de Tron – Uma Odisséia Eletrônica (1982) ajudam muito. Mas não há como negar, a dupla de franceses rouba a cena e traduz toda aquela identidade visual em forma de música. Impossível imaginar alguém desempenhando melhor trabalho em Tron Legacy. Galera do Oscar tava fora de si.

4 - Um Lugar Qualquer – Melhor Roteiro Original


Essa é a minha categoria preferida do Oscar. Principalmente porque os roteiros originais são uma especiaria cada vez mais rara. Na era das adaptações e remakes, textos escritos especialmente para cinema se sobressaem com louvor. Então quase sempre os cinco indicados nessa categoria são filmes que merecem atenção. A despeito do Oscar que Sofia Coppola conquistou em 2003 por Encontros e Desencontros, seu último filme, Um Lugar Qualquer, precisava estar nesse ranking. Saiba mais.

3 - Andrew Garfield – Melhor Ator Coadjuvante


Quando anunciaram o novo Homem-Aranha, o rosto de Andrew Garfield ainda era desconhecido pela maioria. Mas o trabalho dele em A Rede Social funcionou como um carimbo de ‘Aprovado’ pra substituto de Tobey Maguire. O cara simplesmente faz com que haja total identificação entre o público e seu personagem Eduardo Saverin, injustiçado pela trama selvagem da criação do Facebook. Ainda há muito o que mostrar, o Garfield.

2 - Christopher Nolan – Melhor Diretor


Esse parece mais um daqueles equívocos históricos do Oscar. Vou evitar comparações e me ater ao fato de que Nolan já realizou trabalhos notáveis como Amnésia (2000), Insônia (2002), O Grande Truque (2006), além do resgate triunfal de Batman em Begins (2005) e The Dark Knight (2008).  Entre indicações e prêmios, os méritos de alguns de seus filmes já foram reconhecidos pela Academia - no entanto, seu trabalho de direção! por trás das câmeras segue passando batido. Vamo recontar esses votos aí, gente!

1 - Scott Pilgrim Contra o Mundo – Melhores Efeitos Visuais


Efeitos Visuais é apenas a omissão mais descarada do Oscar para o filme de Edgar Wright. Scott Pilgrim é uma tremenda aula de pós-produção e por isso se tornou um dos filmes mais visualmente agradáveis de 2010. O mérito de ter transplantado a linguagem de vídeo game e quadrinhos com tanto domínio e criatividade para o cinema, faz dele uma obra de caráter quase obrigatório, que foi sumariamente ignorada pela Academia. Nenhuma mísera indicação, é mole? “YOU WILL PAY FOR YOUR INSOLENCE!”

E aí, quem mais você acha que ficou pra escanteio no Oscar 2011? :)

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Black Swan: O Manicômio dos Cisnes


O cineasta estadunidense Darren Aronofsky já deu boas provas de seu pulso firme no que diz respeito à direção de atores. Foi assim em Réquiem Para Um Sonho (2000), onde vimos o desempenho incrível de Ellen Burstyn como uma viciada em narcóticos. Mais tarde, em O Lutador (2008), Mickey Rourke é explorado ao limite, encarnando um wrestler cheio de boas intenções, mas com enorme impulso auto-destrutivo. Curiosamente, ambas as performances receberam indicações ao Oscar, mas perderam as disputas.
Também por isso, as atenções agora estão todas voltadas a Natalie Portman, que interpreta Nina Sayers, a protagonista de Cisne Negro (Black Swan, 2010), último trabalho de Aronofsky. Trata-se de uma bailarina de uma grande companhia, penosamente devotada ao ofício; ela treina incansavelmente sob a batuta de sua mãe, uma ex-dançarina que teve a carreira frustrada quando engravidou. A rigidez quase militar que impõe sobre Nina é uma clara evidência de que pretende ter sua trajetória vingada pelas sapatilhas da filha. 
Assim, observamos que ter sido criada à maneira super-protetora da mãe, atrofiou o processo de amadurecimento de Nina, que ainda ostenta um quarto decorado por bichinhos de pelúcia e paredes cor-de-rosa; e é dona de uma personalidade frágil, virginal - o que é acentuado pelas feições de boneca e voz doce de Portman, é verdade.


Por isso ela seria a escolha perfeita para o papel de Odette, o Cisne Branco na montagem histórica de O Lago dos Cisnes, que está sendo organizada pelo renomado coreógrafo Thomas Leroy (Cassel). No entanto, a eleita deve encarnar irmãs gêmeas, dupla-face: a doçura do Cisne Branco em contraste com o lascivo, impulsivo e visceral do Cisne Negro, Odille.
Ao abraçar a chance dourada de sua carreira, Nina Sayers precisa lidar com a pressão que vem de sua mãe, com as exigências cruéis de seu coreógrafo (que cobra dela a voracidade do Cisne Negro) e a ameaça de ser substituída por outra bailarina, a provocante Lily (Kunis), além de outros complicadores. Mas a pressão mais violenta vem dela mesma, naturalmente. E é assim que acompanhamos a degradação física e mental da protagonista, num desses momentos únicos do cinema, à luz fantasmagórica dos artistas que são consumidos pelos próprios personagens - como ilustra o cartaz fodástico lá do topo do post.


Importante observar ainda, que o diretor optou por uma linguagem semi-documental que transita entre fatos e delírios, horror e sobriedade - com a câmera na mão, perseguindo a personagem. A câmera também assume o ângulo de visão da protagonista e muitas vezes parece estar executando as mesmas piruetas da dançarina. Numa cena em específico, a lente acompanha os passos de dança diante de um espelho enorme, mas ali se vê apenas a bailarina, como se não houvesse filmagem alguma. Muito bacana.
Finalmente, resta dizer que Cisne Negro é inquietante e perturbador. Algo que justifica ver Nina e Portman sendo exauridas por seus papéis, nesse filme em que todas as cenas te levam a acreditar que um final excepcionalmente retumbante está para acontecer. E olha, acontece mesmo.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Mundo de Sofia: Um Lugar Qualquer



Filme muito curioso, esse Um Lugar Qualquer (Somewhere, 2010), de Sofia Coppola. A história é assim: um astro de Hollywood, tragado pela rotina de celebridade, vive como um vegetal na própria pele de galã.  O rosto de Johnny Marco (Stephen Dorff) é famoso em todo canto. Ele trafega por Los Angeles na sua Black Ferrari e é cortejado a todo momento, enquanto bebe e fuma em sua enorme suíte do Hotel Chateau Marmont, na crista agitada da Sunset Boulevard.

Não demora muito pra que a gente perceba que o cara não passa de um produto manipulado à revelia por um batalhão de assessores, agentes, produtores e intermediários de toda sorte. Ele atravessa o saguão do aeroporto ladeado por truculentos seguranças, recebe visitas de poledancers em shows exclusivos, viaja para premiéres; mas todo o glamour envolvido corresponde apenas à superfície: Johnny está sempre à mercê da própria carreira, vivendo à margem de si mesmo.


É então que precisa conviver com sua filha de 11 anos, a adorável Cleo (Elle Fanning, irmã caçula de Dakota Fanning). E o contato de sentimento tão legítimo entre pai e filha (neste caso, de uma figura endeusada com uma pessoa do ‘mundo real’) representa uma profunda oxigenação na vida do sujeito. A garota excepcionalmente comum (leitora de Stephenie Meyer, para não fugir do clichê da idade) é a âncora que mantém Johnny Marco de certa maneira preso à própria existência.


Mas o que torna o filme um material curioso é a forma como toda essa informação é transmitida. Em muitas cenas, a diretora economiza nos diálogos (nada disso é explicado verbalmente) e utiliza em larga escala, sequências longas, quase sem falas, que traduzem o tédio e a mesmice presentes no cotidiano do personagem - destaque aqui para o bom trabalho de trilha sonora.  Assim, acompanhamos  um homem em sua rotina de um vazio interminável, que vai sendo intercalada pelos momentos de realidade autêntica ao lado da filha.

Se isto não é atrativo suficiente, cabe uma pergunta meio prática: como um filme com tantas tomadas estendidas e paradonas, sem reviravoltas ou ‘lições de moral’, onde ‘nada demais acontece’, consegue ser tão agradável? Esta é a mágica de Sofia. Não se trata de uma obra-prima inesquecível e talvez não seja a melhor escolha pra um dia sonolento. Mas se você decidir sentar e apreciar este recorte da vida de um certo Johnny Marco vai ter, sem dúvida, um passeio muito agradável. E de Ferrari, beijos.



***
Notas:

Por razões claras, Um Lugar Qualquer remete muito a Encontros e Desencontros, um trabalho anterior de Sofia Coppola, onde Bill Murray (muso supremo) vive uma versão tardia deste Johnny Marco.  É a desculpa perfeita pra revisitar o TOP5 Bill Murray!

Este post foi escrito ao som de The Strokes e Phoenix. Ambos constam na trilha do filme.

Muito obrigado pelos comentários e visitas dos senhores e senhoras. Em breve pitacos sobre o Oscar 2011. Té mais ;)

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O Clube do Filme - o cinema é o professor


David Gilmour estava numa situação complicada. Crítico de cinema desempregado, sem novas perspectivas de trampo e com grana contada, ele se depara com a precária condição de seu filho, Jesse Gilmour, na escola. O garoto de 15 anos estava reprovando em todas as disciplinas, despreparado e completamente desinteressado pelos estudos. Diante disso, o pai aflito visualiza um futuro marginal iminente para seu filho e resolve tomar uma decisão arriscada e muito corajosa a fim de reverter o quadro.

Tratava-se de um método de educação particular e nada ortodoxo. O filho não precisaria mais ir à escola (como era sua vontade) não precisaria trabalhar (para não ter que substituir uma atividade odiosa por outra), e poderia acordar às 17h todos os dias. No entanto teria que assistir a três filmes por semana, da escolha do pai e na companhia dele. O envolvimento com drogas romperia o contrato imediatamente. Acordo feito, começava então o Clube do Filme.


Falando assim, David Gilmour parece ser o melhor pai do mundo. Só que imagina a pressão do cara ‘Eu posso estar destruindo o futuro do meu filho com essa decisão’. Mas ele acredita que é possível sim ser uma pessoa saudável, inteligente e madura mesmo odiando a escola. Sem falar que, do alto de seus 50 anos, se vê procurando emprego de entregador – sem sucesso. 'Eu podia estar esperando por um emprego, mas não estava esperando pela vida. Ela estava ali, bem ao meu lado, na cadeira de vime’. É um sujeito genial, esse David.

O livro que ele escreveu é um material excelente para cinéfilos curiosos, já que discorre de forma muito apaixonada sobre diversos filmes dos mais variados gêneros. Mas é, sobretudo, uma deliciosa história no formato Pai – Filho. Ele acompanha as crises de idade enfrentadas por Jesse (penosas dores de amor, vícios, surtos criativos) enquanto assiste seu filho ganhando idade e asas pra ir embora do ninho. Impossível não se sentir um pouco Jesse e um pouco David ao ler O Clube do Filme. Vale a pena.



sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Rapunzel Reloaded – e a nova safra de Princesas Disney


Muito tempo se passou desde que cair no conto da bruxa com maçã envenenada ainda fazia sentido. O estúdio que teve seu sucesso forjado à moda de castelos, caldeirões, reinados e bruxas vingativas, encontra no século XXI a necessidade de se adequar às novas tecnologias e demandas de um público completamente novo.


Foi assim já em Encantada (2007), onde Giselle, uma princesa remanescente do distante reino de Andalasia, vai parar desastrosamente no meio de uma tumultuada Time Square. Giselle é uma típica personagem da Velha Disney, emulando cenas de Branca de Neve e os Sete Anões (1937), com músicas coreografadas, animaizinhos da floresta e a paciente espera pelo Príncipe Encantado com seu beijo do amor verdadeiro.

 
 É verdade que a migração do plano de desenho animado pro Live Action concebe boa parte do charme de ‘Encantada’, mas a princesa vivida por Amy Adams representa a inadequação do antigo modelo das animações Disney ao mundo moderno, tridimensional, com o barulho do tráfego, a tecnologia, a velocidade das informações e onde segundo a trama, o ‘amor verdadeiro’ inexiste. É tanto que só quem consegue entendê-la naquele turbilhão, é uma garotinha de nove anos.


Pensando em reciclar a ‘fórmula mágica’, o estúdio então desenvolveu A Princesa e o Sapo (2009). Aqui somos apresentados a uma princesa que não é princesa e, na contramão dos estereótipos, é obstinada, ambiciosa e lutadora. O príncipe, por sua vez, é mercenário e cafajeste. Os personagens então repaginados são afro-americanos (a primeira princesa negra, uau) e o cenário é a lendária Nova Orleans, berço do jazz.  A Disney talvez tenha buscado redenções demais com a Princesa Tiana e acabou gastando bons ingredientes numa história previsível e repetitiva. Embora continuassem ótimos criando tipos como o vagalume Ray e a Mama Odie; os traços cheios de estilo e cores e a atmosfera de magia - dessa vez com um pouco menos de força e esplendor. Uma pena. 


A última produção de Walt Disney foi mais uma vez buscar subsídio nos contos dos irmãos Grimm. O filme que deveria se chamar ‘Rapunzel’, visando ser atraente não apenas para meninas, mas também para meninos, passou a se chamar Enrolados (Tangled, 2010).  E agora John Lasseter, o chefão da Pixar Animations, assume de vez o timão do departamento de animações da Disney, seguindo a leva de longas computadorizados – e adotando o rigor e excelência que o fizeram reconhecido. Parece que a Disney retomou seu lugar nos trilhos, já que o resultado é um filme cheio de ritmo, boas sequências de ação, ótimos personagens e argumentos e um desfecho de emoções familiares aos que acompanham o estúdio desde que o Espelho Mágico ainda ditava a última palavra.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

TOP5 - Comédias Românticas Modernas

'Viu uma, viu todas'. Em algum lugar de Hollywood deve ter uma máquina de fazer Comédias Românticas em massa. Elas são quase idênticas, do título ao cartaz. É tão verdade que o gênero virou quase sinônimo de cinema-apelão. Mas em meio ao mar de mesmice, felizmente muita coisa boa se salva. Vamos a cinco bons exemplos? ;)

5 - Como se Fosse a Primeira Vez (50 First Dates, 2004)

Needless to say, praticamente todo o charme deste filme se concentra na graça que é Drew Barrymore. Mas o eixo do roteiro lembra muito aquele clássico Feitiço do Tempo, com o mestre Bill Murray. Aqui, a protagonista também está presa no calendário, tendo a memória formatada diariamente - algo que faz com que seu pretendente amoroso precise reconquistá-la todos os dias. É um romantismo muito bonito, com algo de ingênuo sobre a melhor fase dos relacionamentos: o começo. E as gags que teriam tudo pra tornar o filme repetitivo (algo que também acontece em Feitiço do Tempo), funcionam e rendem boas risadas, sem culpa. Apesar do Rob Schneider.


4 - O Amor Não Tira Férias (The Holiday, 2006)

Esse é o tipo de filme lava-alma. É esquecer esse título calhorda e se permitir um belo chickflick assinado pela super competente Nancy Meyers. São duas histórias em uma. Em linhas brutais: o eixo Diaz/Law corresponde ao senso comum das comédias românticas modernas e o eixo Winslet /Black percorre um caminho mais ousado e menos comum. O trânsito equilibrado entre os dois eixos é o pulo-do-gato de The Holiday. Mas o elemento imperdível fica ainda por conta das ótimas conversas sobre filmes, trilhas sonoras, trailers e acerca da indústria do cinema atual - tudo muito bem amarrado no roteiro sabidinho.


3 - Digam o que Quiserem (Say Anything, 1989)

O romance errante do John Cusack (na época com 23 anos, awn) e Ione Skye, dividida entre a carreira pela qual sempre trabalhou, e o amor, recém-descoberto, inédito pros dois. O filme tem uma ótima trama secundária a respeito da confiança na relação pai/filha, poucas vezes explorada com tanta verdade. Além disso, ó: 20 anos depois, essa obra ganha uma aura quase nostálgica com seus figurinos, cenários, os carros e principalmente a proximidade com música (marca registrada de Cameron Crowe) Mas aqui, sempre em fitas cassete.


2 - (500) Dias com Ela ((500) Days of Summer, 2009)

A ideia é virar o gênero pelo avesso. A começar pelos gênios trocados: aqui, o homem e a mulher, a grosso modo, assumem a posição inversa. Enquanto Tom Hansen (Joseph Gordon-Levitt, divo) faz a linha idealista e romântica, a garota por quem ele cai de quatro, Summer (Zooey Deschanel, de O Guia Do Mochileiro Das Galáxias), tem aversão a compromissos e aparentemente está preocupada com a felicidade momentânea, desde que seja intensa e valha a pena. A história então vai sendo contada de forma não-linear, buscando os best-moments através dos 500 dias referidos no título. Muita atenção aos detalhes e ao sem-número de referências à cultura pop. ‘People don't realize this, but loneliness is underrated’-  já virou clássico.


1 - Harry & Sally – Feitos um para o Outro (When Harry Met Sally..., 1989)

‘Men and women can't be friends because the sex part always gets in the way’. Injustamente estigmatizado pela cena em que Meg Ryan simula um orgasmo em plena lanchonete, o filme de Rob Reiner é um marco do gênero, ao melhor estilo guerra dos sexos. O trunfo aqui é mesmo a verborragia esperta e neurótica dos diálogos escritos por Nora Ephron (gênia). Mas há ainda um bom bocado de piadas visuais, a música de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, as paisagens de Nova York - ingredientes que tornam a mistura tão charmosa e especial. A história, que se passa em 11 anos de idas e vindas, é intercalada por depoimentos reais de casos de amor que deram certo. Difícil resistir a reprises e mais reprises.


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